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Equipotencialização Elétrica

Foto do escritor: Edson Júnior
Edson Júnior
1 de ago. de 2022
5 min de leitura

Atualizado: há 20 horas

A equipotencialização elétrica é um conjunto de medidas que consiste em interligar partes condutivas de uma instalação para reduzir diferenças de potencial elétrico entre elementos que podem ser tocados simultaneamente. Esse procedimento é importante para diminuir o risco de choque elétrico, melhorar as condições de proteção da instalação e contribuir para a segurança de pessoas, equipamentos e estruturas metálicas.


Equipotencialização Elétrica
Equipotencialização Elétrica

Em uma instalação elétrica, determinadas falhas podem fazer com que carcaças de equipamentos, tubulações metálicas e outras partes condutivas apresentem tensões diferentes. Quando uma pessoa toca simultaneamente em dois pontos nessas condições, pode existir uma diferença de potencial capaz de provocar a passagem de corrente pelo corpo. A equipotencialização procura controlar esse risco por meio de interligações elétricas planejadas, conforme as características da instalação e os requisitos técnicos aplicáveis.

Esse sistema trabalha em conjunto com o aterramento, os condutores de proteção e os dispositivos de desligamento automático. Sua aplicação precisa considerar o projeto elétrico, as condições da edificação e as exigências da ABNT NBR 5410 e, quando pertinente, da série ABNT NBR 5419. A execução correta dessas medidas contribui para reduzir os riscos associados a descargas elétricas e a outras situações que podem comprometer a segurança das instalações.


O que é equipotencialização e como ela funciona?


A equipotencialização consiste na interligação elétrica de partes condutivas selecionadas para reduzir diferenças de potencial entre elas. Em uma edificação, isso pode envolver massas metálicas de equipamentos, elementos condutivos externos à instalação e componentes do sistema de proteção, de acordo com os critérios técnicos aplicáveis. A finalidade é diminuir tensões de contato perigosas, especialmente durante determinadas falhas elétricas.

Para compreender seu funcionamento, imagine uma máquina cuja carcaça metálica fique energizada devido a uma falha de isolamento. Se essa carcaça estiver corretamente integrada às medidas de proteção previstas no projeto, a corrente de falta poderá encontrar um caminho de retorno adequado, favorecendo a atuação do dispositivo de proteção. Quando existe equipotencialização, também se procura reduzir a diferença de potencial entre partes condutivas que poderiam ser tocadas simultaneamente. A proteção efetiva depende, portanto, da combinação de medidas, e não apenas da conexão entre peças metálicas.

A equipotencialização deve ser projetada e executada conforme as características da instalação. Não significa simplesmente conectar todos os metais existentes a um fio ou presumir que qualquer estrutura metálica esteja automaticamente protegida. É necessário identificar quais elementos devem ser interligados, especificar os condutores e garantir a continuidade elétrica das conexões. A compreensão da diferença entre aterramento e equipotencialização ajuda a entender por que essas medidas são complementares, mas não possuem exatamente a mesma função.


Qual é a diferença entre equipotencialização e aterramento?


O aterramento estabelece uma conexão elétrica com a terra por meio de um sistema projetado para essa finalidade. Dependendo do esquema de aterramento e das condições da instalação, ele participa da condução de correntes de falta, da referência elétrica do sistema e da aplicação das medidas de proteção previstas no projeto. Seu desempenho depende de componentes corretamente dimensionados e instalados, além da coordenação com os dispositivos de proteção.

A equipotencialização, por sua vez, busca reduzir diferenças de potencial entre partes condutivas por meio de interligações elétricas. Embora essas conexões possam estar associadas ao sistema de aterramento, sua finalidade específica é evitar que elementos acessíveis apresentem tensões de contato perigosas entre si. Por isso, equipotencializar não significa simplesmente desviar toda corrente de fuga para o solo, nem garante que todos os pontos de uma instalação permaneçam exatamente no mesmo potencial em qualquer circunstância.

Na prática, as duas medidas trabalham em conjunto com os condutores de proteção e os dispositivos adequados de desligamento. O aterramento elétrico precisa estar corretamente integrado à instalação, e as ligações equipotenciais devem respeitar os requisitos pertinentes. Nenhuma dessas medidas substitui automaticamente a outra, e a equipotencialização não dispensa os condutores de proteção exigidos para os circuitos.


Tipos de equipotencialização e componentes utilizados


A equipotencialização principal reúne, em um ponto apropriado, as conexões previstas para interligar o sistema de proteção às partes condutivas que precisam ser equipotencializadas. Esse ponto é normalmente associado ao barramento de equipotencialização principal, conhecido como BEP. Sua configuração depende do projeto e deve permitir conexões adequadas, protegidas e passíveis de inspeção conforme as exigências técnicas aplicáveis.

A equipotencialização suplementar é utilizada quando as condições de proteção exigem ou recomendam interligações adicionais em determinadas áreas, equipamentos ou conjuntos de elementos condutivos simultaneamente acessíveis. Sua aplicação depende da análise dos riscos e dos requisitos específicos do local. Em nenhum caso deve ser interpretada como substituta automática dos condutores de proteção dos circuitos ou das demais medidas exigidas para o desligamento seguro diante de uma falha.

Os componentes utilizados podem incluir barramentos, condutores de equipotencialização, terminais e conectores apropriados, além das conexões previstas com o sistema de proteção. A escolha deve considerar a seção dos condutores, a resistência mecânica, as condições ambientais e a capacidade de suportar as solicitações esperadas. As ligações equipotenciais de estruturas metálicas precisam ser definidas tecnicamente, sem presumir que qualquer estrutura ou armadura da edificação possa substituir um condutor de proteção.


Equipotencialização, proteção contra choques e descargas atmosféricas


Um dos objetivos mais importantes da equipotencialização é reduzir tensões de contato que possam surgir durante falhas elétricas. Ao interligar os elementos previstos no projeto, o sistema ajuda a controlar diferenças de potencial entre partes condutivas acessíveis. Entretanto, a proteção depende também do dimensionamento dos condutores, da continuidade das conexões, do aterramento e do funcionamento dos dispositivos responsáveis por interromper a alimentação quando necessário.

O dispositivo DR pode integrar as medidas de proteção contra choques elétricos ao detectar determinadas correntes diferenciais residuais e provocar o desligamento do circuito nas condições previstas para sua atuação. A equipotencialização complementa esse recurso, mas não substitui sua aplicação quando exigida. O dispositivo DR deve ser selecionado e instalado considerando o esquema de aterramento, as características dos circuitos e as exigências técnicas pertinentes.

Nas instalações que exigem proteção contra descargas atmosféricas, a equipotencialização também pode fazer parte das medidas destinadas a controlar diferenças de potencial e reduzir riscos provocados pela corrente do raio e pelos efeitos eletromagnéticos associados. Sua integração com o SPDA, os dispositivos DPS e os demais componentes deve seguir o projeto específico. O dispositivo DPS contribui para limitar determinadas sobretensões, enquanto as ligações equipotenciais colaboram para controlar diferenças de potencial entre elementos interligados.


Instalação, inspeção e manutenção da equipotencialização


A implantação começa pela avaliação da instalação e pela identificação dos elementos que precisam ser interligados. O projeto deve especificar os pontos de conexão, os condutores, os barramentos e os critérios de execução, considerando as normas aplicáveis. A instalação não deve ser realizada de forma improvisada, pois conexões inadequadas podem comprometer a continuidade elétrica e a eficácia das medidas de proteção.

Depois da montagem, é necessário verificar a integridade das conexões e a continuidade elétrica dos caminhos previstos. As inspeções também devem considerar corrosão, afrouxamento de terminais, danos mecânicos e alterações realizadas na edificação. Reformas, substituições de equipamentos ou mudanças na infraestrutura podem exigir uma nova avaliação para confirmar que as ligações continuam adequadas às condições existentes.

Os serviços devem ser realizados por profissionais qualificados, com observância dos procedimentos de segurança e dos requisitos técnicos aplicáveis. A avaliação do aterramento e de sua importância para a instalação, em conjunto com a verificação das ligações equipotenciais, contribui para identificar falhas que podem comprometer a proteção. Uma demonstração prática de equipotencialização elétrica também pode ajudar a visualizar o conceito, mas não substitui o projeto nem os procedimentos técnicos necessários.

Portanto, a equipotencialização é uma medida essencial para reduzir diferenças de potencial perigosas e complementar a proteção das instalações elétricas. Sua eficácia depende da seleção correta dos elementos interligados, da continuidade das conexões e da integração com o aterramento e os dispositivos de proteção. Quando o sistema é projetado, instalado e inspecionado adequadamente, contribui para diminuir os riscos de choque elétrico e melhorar a segurança da edificação.


Edson Júnior


EJ Serviços Elétricos
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