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Queimaduras causadas por eletricidade

Foto do escritor: Edson Júnior
Edson Júnior
13 de jul. de 2022
5 min de leitura

Atualizado: 6 de out.

As queimaduras provocadas pela eletricidade acontecem quando a passagem de corrente pelo organismo produz aquecimento dos tecidos ou quando uma fonte elétrica libera energia térmica sobre a pele e outras estruturas. Como a pele participa do contato inicial com a fonte, ela pode apresentar lesões visíveis, mas a aparência externa nem sempre revela a extensão do dano. Em determinadas ocorrências, tecidos localizados mais profundamente podem ser atingidos mesmo quando a alteração superficial parece pequena.

A pele apresenta resistência elétrica relativamente elevada em comparação com os tecidos internos do corpo. Quando uma corrente atravessa essa estrutura, parte da energia elétrica pode ser convertida em calor, provocando alterações nos tecidos. As chamadas marcas de corrente podem aparecer nos pontos de entrada e saída, mas a ausência de grandes sinais externos não significa necessariamente que o acidente tenha sido de baixa gravidade.



Queimaduras causadas por eletricidade
Queimaduras causadas por eletricidade


As queimaduras elétricas também podem apresentar características diferentes das provocadas exclusivamente por agentes químicos ou por uma fonte térmica externa. Dependendo das condições da exposição, a própria passagem da corrente pode comprometer terminações nervosas e modificar a percepção da dor. Além disso, uma lesão inicialmente discreta pode evoluir nas horas seguintes, razão pela qual acidentes envolvendo eletricidade merecem avaliação adequada mesmo quando as marcas aparentam ser limitadas.


Como a eletricidade produz calor nos tecidos


Quando uma corrente atravessa um material que oferece resistência, ocorre transformação de energia elétrica em energia térmica. Esse fenômeno é conhecido como efeito Joule e ajuda a explicar por que os tecidos podem sofrer aquecimento durante determinados acidentes. A quantidade de calor produzida está relacionada às características do circuito, ao tempo de exposição e à resistência encontrada pelo caminho percorrido.

No corpo humano, a distribuição desse aquecimento não é necessariamente uniforme. A pele pode apresentar resistência diferente daquela encontrada nos tecidos internos, e as características do contato também influenciam a concentração da energia. Área de contato, umidade, pressão e condição da pele podem modificar a passagem da corrente e, consequentemente, alterar a região mais afetada.

A relação entre eletricidade e calor também explica por que a intensidade da lesão não pode ser avaliada apenas observando o ponto de contato. Uma pequena marca superficial pode coexistir com alterações em estruturas mais profundas, dependendo do trajeto e das condições da exposição. Por isso, a avaliação de uma ocorrência precisa considerar o acidente como um todo, e não somente a aparência da pele.


Formas de ocorrência das queimaduras elétricas


As lesões podem surgir em diferentes situações, incluindo contato direto com uma parte energizada, formação de arco elétrico, liberação intensa de energia durante um curto-circuito e contato com materiais metálicos aquecidos ou fundidos. Cada mecanismo transfere energia para o organismo de uma maneira diferente. Consequentemente, a profundidade, a extensão e o padrão da lesão também podem variar.

No contato direto, a pele entra em contato com uma superfície submetida a potencial elétrico e a corrente estabelece um caminho através do corpo. Dependendo das condições, a lesão pode permanecer localizada ou assumir características mais profundas. O trajeto entre os pontos de entrada e saída também merece atenção porque os tecidos atravessados pela corrente podem sofrer efeitos que não ficam imediatamente evidentes.

Já nas ocorrências envolvendo arco, a pessoa pode sofrer uma exposição intensa sem necessariamente tocar diretamente no condutor. O arco elétrico pode produzir temperaturas muito elevadas, radiação térmica, partículas aquecidas e projeção de material, criando condições capazes de provocar queimaduras e incêndios. Esse fenômeno pode ocorrer em determinadas operações de manobra, falhas de isolamento e curtos-circuitos.


Queimaduras por contato


A queimadura por contato ocorre quando uma pessoa estabelece contato com uma parte energizada e a corrente atravessa seu corpo. O ponto de entrada pode apresentar alteração localizada, enquanto o ponto de saída pode aparecer em outra região, conforme o caminho adotado pela corrente. A extensão do dano depende de fatores como intensidade, duração, resistência dos tecidos e condições do contato.

Algumas lesões podem apresentar aspecto relativamente pequeno na superfície, apesar de existir comprometimento mais profundo. Em outras situações, a região afetada pode ser mais extensa e apresentar alterações claramente perceptíveis. O fato de a pele aparentar uma marca discreta não permite concluir, sozinho, que o acidente foi leve ou que não existem lesões internas.

Por esse motivo, uma pessoa exposta a uma descarga elétrica deve ser avaliada de acordo com as circunstâncias do acidente e os sinais apresentados. Quando existem alterações neurológicas, perda de consciência, fraqueza, dor persistente ou outras manifestações, a avaliação profissional torna-se especialmente importante. O exame neurológico pode fazer parte dessa avaliação quando houver indicação clínica, mas não deve ser tratado como um método isolado para determinar todo o percurso da corrente.


Queimaduras provocadas por arco elétrico


O arco elétrico representa uma descarga através de um meio que se torna condutor, normalmente envolvendo o ar entre pontos com diferença de potencial. Durante sua ocorrência, pode haver liberação intensa de energia em um intervalo extremamente curto. O aquecimento produzido é suficiente para causar queimaduras, danificar equipamentos e inflamar materiais próximos.

Em situações de curto-circuito ou manobras inadequadas, a energia liberada pelo arco pode atingir uma pessoa mesmo sem contato direto com o condutor. A radiação térmica pode provocar lesões na pele e nos olhos, enquanto partículas metálicas aquecidas podem ser projetadas para o ambiente. Roupas e outros materiais combustíveis também podem entrar em ignição, ampliando o acidente para além da lesão elétrica inicial.

O conteúdo sobre como acontece o arco elétrico ajuda a compreender por que esse fenômeno representa uma ameaça importante em instalações elétricas. A prevenção depende do controle dos riscos, da manutenção dos equipamentos, do respeito aos procedimentos operacionais e da utilização dos recursos de proteção adequados à atividade realizada.


Radiação térmica e materiais metálicos aquecidos


Nem todas as queimaduras observadas durante uma ocorrência elétrica são produzidas pelo contato direto da corrente com o organismo. Um arco pode liberar intensa radiação térmica, capaz de aquecer rapidamente a pele e provocar lesões mesmo quando a pessoa não toca na fonte. Esse mecanismo é especialmente relevante em eventos de elevada energia, nos quais o calor se espalha pelo ambiente em frações de segundo.

Também podem existir partículas ou gotas de metal fundido projetadas durante falhas e curtos-circuitos. Fusíveis, condutores, conexões e outros componentes podem atingir temperaturas elevadas e liberar material aquecido. Quando essas partículas alcançam a pele ou as roupas, podem produzir queimaduras adicionais, além de aumentar a possibilidade de incêndio.

O risco se torna ainda maior quando a ocorrência acontece próxima a materiais inflamáveis. O curto-circuito pode gerar condições favoráveis ao surgimento de arco e ao aquecimento intenso de componentes, enquanto partículas metálicas podem atingir áreas próximas. Por isso, a proteção contra eventos desse tipo precisa considerar tanto a energia elétrica disponível quanto as características do ambiente e dos equipamentos.


Prevenção e avaliação das lesões


A prevenção das queimaduras elétricas começa pela redução da possibilidade de contato com partes energizadas e pelo controle das condições que favorecem falhas. Isolamentos íntegros, equipamentos corretamente dimensionados, manutenção periódica, proteção adequada e procedimentos de trabalho compatíveis com o risco contribuem para diminuir a probabilidade de ocorrência. Em atividades profissionais, a preparação deve levar em conta também a possibilidade de arco e projeção de materiais.

Quando acontece uma exposição, a aparência da lesão não deve ser usada isoladamente para determinar sua gravidade. Uma marca pequena pode coexistir com danos internos, enquanto uma queimadura extensa pode estar associada a outros mecanismos, como arco, radiação e contato com material aquecido. Além da pele, devem ser considerados possíveis efeitos cardíacos, neurológicos, musculares e respiratórios decorrentes da passagem da corrente.

Compreender os diferentes mecanismos permite reconhecer que as queimaduras elétricas não formam um único tipo de lesão. Contato direto, arco, radiação térmica e projeção de material metálico podem produzir consequências distintas e, em determinadas ocorrências, podem acontecer simultaneamente. Por isso, a prevenção, a segurança durante as intervenções e a avaliação adequada após um acidente são fundamentais para reduzir os riscos e evitar que uma exposição elétrica resulte em consequências ainda mais graves.






Edson Júnior


EJ Serviços Elétricos
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